Uso de paracetamol durante a gestação e desenvolvimento infantil
evidências atuais não sustentam associação com transtornos do neurodesenvolvimento
DOI:
https://doi.org/10.70159/rcfacs.v26.1130Palavras-chave:
paracetamol, gravidez, neurodesenvolvimento, segurança medicamentosaResumo
O paracetamol é amplamente utilizado durante a gestação para o tratamento de dor e febre, sendo tradicionalmente considerado seguro. No entanto, sua capacidade de atravessar a barreira placentária tem motivado investigações sobre possíveis efeitos no desenvolvimento fetal. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente a literatura acerca do uso de paracetamol durante a gestação e suas implicações no neurodesenvolvimento infantil. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com artigos publicados entre 2013 e 2025 nas bases Scielo, PubMed e ScienceDirect. Estudos anteriores sugeriram associação entre a exposição pré-natal ao paracetamol e maior risco de transtornos do neurodesenvolvimento. Entretanto, evidências mais recentes, especialmente o estudo de coorte de base populacional conduzido por Ahlqvist et al. (2024), que avaliou 2.480.797 crianças na Suécia com análise de controle entre irmãos, não identificaram associação entre o uso de paracetamol durante a gravidez e o risco de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual. Esses achados indicam que associações previamente observadas podem ser explicadas por fatores de interferência. Assim, as evidências atuais não sustentam uma relação causal entre o uso de paracetamol na gestação e transtornos do neurodesenvolvimento infantil.
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