USO OFF LABEL DA SEMAGLUTIDA (OZEMPIC®) POR INDIVÍDUOS NÃO DIABÉTICOS PARA PERDA DE PESO

OFF LABEL USE OF SEMAGLUTIDE (OZEMPIC®) BY NON-DIABETIC INDIVIDUALS FOR WEIGHT LOSS

CRediT


Financiamente: Não aplicável.


Conflito de interesse: Os autores certificam que não têm interesse comercial ou

associativo que represente um conflito de interesses em relação ao manuscrito.


Aprovação ética: Não aplicável.


Contribuições dos autores: Redação e edição - OLIVEIRA, C.C.; BRAGA, L.H.G.;

JORDÃO, P.A.; Revisão: SILVA, C.A.

Chirlaine Cristina de Oliveira

Luis Henrique Gomes Braga

Paula Abreu Jordão

Graduada em Farmácia Generalista na Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), E-mail: paula.jordao@univale.br

Carlos Alberto Silva

Graduada em Farmácia Generalista na Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), E-mail: chirlaine.oliveira@univale.br

Graduado em Farmácia Generalista na Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), E-mail: luis.braga@univale.br

Mestre em Ciências Biológicas -

Farmacologia e docente dos cursos de Farmácia Generalista e Psicologia na Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), E-mail: carlos.silva@univale.br

RESUMO

Os análogos do Glucagon-1 (GLP-1), especialmente a semaglutida (Ozempic®), são indicados para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, promovendo redução da glicemia, saciedade e

perda de peso. O uso off label da semaglutida na obesidade tem aumentado, elevando o risco de eventos adversos. O estudo avaliou os efeitos do uso off label de semaglutida (Ozempic®) no controle da obesidade em pacientes adultos não diabéticos. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em artigos publicados entre 2015 e 2025, indexados nas bases Elsevier, LILACS®, PubMed®, SciELO® e Google Acadêmico®. O uso off label de semaglutida (Ozempic®) tem apresentado crescimento significativo no Brasil e no mundo, com aumento de aproximadamente 442% entre janeiro de 2022 e dezembro de 2023. Este fenômeno é mais frequente entre jovens, sendo impulsionado por redes sociais e motivações estéticas. Entre os efeitos adversos mais comuns destacam-se distúrbios gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e constipação, além de ocasionalmente, distúrbios biliares, hipoglicemia e pancreatite aguda. O uso sem supervisão médica pode resultar em erros de dosagens e aumentar significativamente o risco de eventos adversos. Apesar da eficácia satisfatória da semaglutida (Ozempic®) como fármaco antidiabético e na redução do peso corporal, seu uso abusivo, especialmente em indivíduos não diabéticos, representa um importante problema de segurança. Recomenda-se que profissionais de saúde, incluindo farmacêuticos, busquem

capacitação adequada promovendo o uso seguro e racional do medicamento.

Palavras-chave: diabetes; obesidade; emagrecimento; semaglutida.

ABSTRACT

Glucagon-like peptide-1 (GLP-1) analogues, particularly semaglutide (Ozempic®), are indicated for the treatment of type 2 diabetes mellitus, promoting glycemic reduction, increased satiety, and weight loss. The off-label use of semaglutide for obesity has increased, raising the risk of adverse events. This study evaluated the effects of off-label semaglutide (Ozempic®) use in the management of obesity in non-diabetic adult patients. This is anarrative literature review based on articles published between 2015 and 2025 and indexed in the Elsevier, LILACS®, PubMed®, SciELO®, and Google Scholar databases. The off-label use of semaglutide (Ozempic®) has shown significant growth in Brazil and worldwide, with

an increase of approximately 442% between January 2022 and December 2023. This phenomenon is more frequent among young individuals and has been driven by social media influence and aesthetic motivations. The most common adverse effects include gastrointestinal disorders, such as nausea, vomiting, diarrhea, and constipation, as well as occasional biliary disorders, hypoglycemia, and acute pancreatitis. Use without medical supervision may result in dosing errors and significantly increase the risk of adverse events. Despite the satisfactory efficacy of semaglutide (Ozempic®) as an antidiabetic agent and in body weight reduction, its abusive use—especially among non-diabetic individuals—represents an important safety concern. Therefore, it is recommended that

healthcare professionals, including pharmacists, seek adequate training to promote the safe

and rational use of this medication.

Keywords: diabetes; obesity; weight loss; semaglutide.

1 INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que a obesidade é um estado caracterizado pelo excesso de gordura corporal, em quantidade que determina prejuízos à saúde. Ela é classificada como grau 1 quando o índice de massa corporal (IMC) está entre 30,0 e 34,9 kg/m2, grau 2 se o IMC estiver entre 35,0 e 39,9kg/m2, e grau 3 quando o IMC é superior a 40,0 kg/m2. A obesidade é atualmente considerada um problema de saúde pública e uma doença crônica (OMS, 2021; Brasil, 2025).

No Brasil, ela teve um aumento de cerca de 72% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019. Estima-se que em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso, sendo 700 milhões de pessoas com obesidade grave, com IMC > 30,0 kg/m2. As projeções indicam que em 2044 as taxas de sobrepeso e obesidade combinadas podem atingir mais de dois terços da população adulta (ABESO, 2019; Brasil, 2023; WOF, 2024).

A obesidade é uma condição multifatorial, associada ao consumo excessivo de alimentos calóricos, ao sedentarismo e ao uso do tempo, como exposição às telas. Além disso, fatores metabólicos, genéticos, psicossociais – incluindo estresse crônico, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, além do uso de alguns medicamentos, como corticoides, antidepressivos e antipsicóticos, contribuem para o desenvolvimento e manutenção da obesidade (Blüher, 2019; ABESO, 2023; OMS, 2025).

O diagnóstico da obesidade é realizado clinicamente, com base na mensuração do peso corporal e no cálculo do índice de massa corporal (IMC), além da avaliação da circunferência da cintura e da relação cintura-quadril (RCQ). Métodos complementares incluem a bioimpedância elétrica, a densitometria por dupla emissão de raios-X, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM), tecnologias que permitem estimar a composição corporal e a distribuição da gordura corporal (Gallagher et al., 2020; Ross et al., 2020; ABESO, 2023).

A obesidade é capaz de ocasionar diversas morbidades, incluindo complicações cardiovasculares - infarto, acidente vascular encefálico (AVE), insuficiência cardíaca, tromboses venosas profundas, além de doenças metabólicas - diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias, esteatose hepática, apneia do sono, osteoartrite, dentre outras (Powell-Willey et al., 2021; ABESO, 2023; OMS, 2025).

Diversos estudos têm demonstrado que o excesso de tecido adiposo é capaz de promover um estado inflamatório crônico de baixo grau, além de resistência à insulina e hiperinsulinemia, e alterações hormonais, com aumento dos níveis de estrogênio, fatores que podem contribuir ao aparecimento de carcinomas – de mama, colón, reto, endométrio, esôfago (adenocarcinoma), rim, pâncreas e fígado (Lauby-Secretan, 2016; ABESO, 2023; OMS, 2025).

O tratamento baseia-se principalmente na mudança do estilo de vida, com dieta balanceada, adequada ingestão calórica e prática regular de atividade física (Brasil, 2022; OMS, 2025). Como terapia adjuvante, podem ser utilizados medicamentos anorexígenos, antidepressivos e inibidores da lipase pancreático, como sibutramina, mazindol, fluoxetina, sertralina e orlistate, dentre outros (Nigro et al., 2021; Utta; Pessoa, 2021; Marcon; Sanches; Virtuoso, 2022). Em obesidades graves e refratárias ao tratamento clínico, indicam-se as intervenções cirúrgicas ou próteses intragástricas (Da Luz et al., 2018).

Considerando que o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma das principais doenças associadas à obesidade, surgiu recentemente uma nova classe de fármacos hipoglicemiantes, os agonistas de peptídeo-1 semelhantes ao Glucagon-1 (GLP-1), com indicação ao tratamento da obesidade. Dentre eles, destacam-se a Liraglutida (Victoza®), para DM2 e Saxenda®, para obesidade, Dulaglutida (Trulictiy®), para DM2, sendo ambos de aplicação subcutânea diária, e por fim, a semaglutida (Ozempic®), também indicada para DM2, administrada por via subcutânea semanalmente (Lean et al., 2018; Chamberlin; Dabbs, 2019; Malta et al., 2023).

Esses medicamentos têm mostrado excelente eficiência com baixa indução de efeitos adversos, principalmente a semaglutida, que teve seu uso no mundo e Brasil aumentado consideravelmente, sobretudo no tratamento da obesidade (Ryan, 2021; Freitas et al., 2023), no uso off label, ou seja, não descrito em bula nem registrado para essa finalidade terapêutica (Gomes; Trevisan, 2021; Wilding et al., 2021), tendo seu uso se tornado abusivo (Magno; Veiga; Mühlbauer, 2024). Essa prática pode aumentar o risco da ocorrência de adversidades (Sabbá et al., 2022).

Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo avaliar se o uso do medicamento Ozempic® (semaglutida) pode ocasionar danos à saúde de indivíduos saudáveis que o utilizam para o tratamento do sobrepeso e da obesidade, sem indicação clínica adequada (uso off label), bem como os fatores que motivam essa utilização, apesar da existência de outras opções terapêuticas. Ademais, busca-se evidenciar a importância da atuação do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos e na garantia da segurança farmacoterapêutica.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo narrativo da literatura indexada na língua portuguesa e inglesa, nas plataformas: Elsevier, LILACS®, PubMed, SciELO e Google Acadêmico, tendo como descritores: “diabetes”, “obesidade”, “emagrecimento” e “semaglutida”, incluindo artigos originais, revisões sistemáticas e relatos de caso. Foram considerados estudos sobre mecanismos de ação, eficácia clínica, riscos e uso abusivo. Foram excluídos os estudos que não atenderam a esses critérios.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os peptídeos análogos ao glucacon-1 (GLP-1), como: Exenatida, Liraglutida, Dulaglutida, Lixisenatida e semaglutida, constituem fármacos que oferecem uma nova abordagem no tratamento do DM2, mas também trouxeram esperança às pessoas obesas ou com sobrepeso (Staico et al., 2023; Friedman, 2024; Oliveira et al., 2025).

No Brasil, a semaglutida (Ozempic) é apresentada na forma de solução injetável em canetas pré-preenchidas descartáveis com 0,25; 0,5 e 1,0 mg por aplicação semanal, e indicada ao tratamento do DM2 (Brasil, 2024). Atua na regulação da ingestão alimentar, estimulando neurônios no centro da saciedade do cérebro, retarda o esvaziamento gástrico e regula a secreção de insulina nas células β pancreáticas (Liu, 2024; Padilla-Zamudio, 2025). Esses efeitos auxiliam no controle da glicemia e do peso corporal.

O uso continuado da semaglutida (Ozempic) causa significativa redução do peso corporal (Linhares et al., 2024), com diminuição do IMC e da circunferência da cintura, com perfil de segurança aceitável (Wadden et al., 2021; Gao et al., 2022; Tiê et al., 2023), em comparação com os tratamentos tradicionais empregados no controle da obesidade. E, dentre os análogos de GLP-1, a semaglutida apresenta maior eficácia (Silva et al., 2024), o que justifica seu amplo emprego.

Em âmbito global, o uso de semaglutida apresentou um crescimento expressivo, estimado em aproximadamente 442%, entre janeiro de 2021 a dezembro de 2023, sendo o medicamento Ozempic® responsável por mais de 70% das prescrições registradas nesse período (Scannell et al., 2024), mesmo tendo indicação off label para o tratamento da obesidade, mesmo não atendendo aos requisitos das agências sanitárias regulatórias (Sabre; Al-Mihanya, 2025).

Acredita-se que fenômeno semelhante tenha ocorrido no Brasil (Vigitel, 2023), uma vez que a Associação Médica Brasileira (AMB) informa que o medicamento alcançou faturamento de cerca de R$ 3,7 bilhões em 2023, representando um crescimento de 52% em relação ao ano anterior (AMB, 2023).

A partir de seu lançamento no Brasil, em 2018 (Melo; Coelho; Sousa, 2024), a facilidade de acesso através da automedicação e autoprescrição contribuíram ao vertiginoso crescimento do uso do medicamento, influenciado pelas redes sociais e pressão por cuidados estéticos, caracterizando seu uso sem supervisão médica como um grave problema de saúde pública (Oliveira; Salvático; Guimarães dos Santos, 2025; Pombeiro et al., 2025).

No Brasil, o aumento da procura dos medicamentos com semaglutida (Ozempic®, Wegovy®) acabou resultando em desabastecimento em algumas regiões do país ao longo de 2024 e início de 2025 (Brazil Pharma [...], 2025), dificultando assim o acesso por pacientes que os utilizavam no tratamento da DM2.

O uso indevido de semaglutida, sem a devida recomendação médica tem sido registrado em diversos estudos e descrito como um fenômeno em ascensão, particularmente entre jovens e indivíduos não diabéticos, que buscam emagrecimento por motivos estéticos. Comportamento influenciado pelas mídias sociais, cultura estética, com a busca pelo “corpo ideal”, facilidade de acesso e busca por resultados rápidos (Wilding et al, 2021; Torres et al., 2022; Farias; Rodrigues; Andrade, 2025; Propfe; Seifert, 2025; Saber; Al-Mihanya, 2025).

Em relação à segurança, a semaglutida (Ozempic®) é capaz de induzir efeitos gastrointestinais, com ocorrência de: náusea, vômito, diarreia e constipação, com maior frequência (Wilding et al., 2021). Ocasionalmente, foram observados casos de distúrbios biliares e pancreatite aguda (Ghusn; Hurtado, 2024; Magomedova, 2025). Esses achados reforçam a necessidade de pesquisas adicionais para o monitoramento adequado dos pacientes e mitigação dos riscos potenciais, permitindo o uso seguro de medicamento no controle da obesidade (Ghusn; Hurtado, 2024).

O uso da semaglutida (Ozempic®) sem supervisão médica pode resultar em erros de dosagem, aumentando o risco de eventos adversos graves. Nesse sentido, Zamir et al. (2025) relataram um estudo de caso envolvendo um paciente de 67 anos, com sobrepeso e DM2, que administrou simultaneamente todas as doses semanais do medicamento, evoluindo com falência multiorgânica, crise hipoglicêmica, disfunção hepática colestática, úlceras duodenais, além de fraqueza, dor epigástrica e diarreia grave.

McIntyre; Kwan (2024) relataram 3.348 casos de sobredosagem acidental associada ao uso de agonistas do receptor de GLP-1 (semaglutida, Dulaglutida, Exenatida e Liraglutida), facilitado pelo aumento da disponibilidade e acessibilidade, que contribuiu no aumento da busca desses medicamentos através de farmácias on line e/ou de manipulação. Comportamento que pode influenciar na ocorrência de superdosagens e suas consequências.

Além disso, Wiener et al. (2024) relataram três casos de sobredosagem prescrita em pacientes diabéticos em tratamento, nos quais todos desenvolveram sintomas gastrointestinais inespecíficos (náuseas, vômito e diarreia), porém sem ocorrência de hipoglicemia.

A ocorrência de hipoglicemia após superdosagem de agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic®) é incomum, pois suas ações são glicose-dependentes e reduzem à medida que a glicemia esteja regulada (Marso et al., 2016; Wiener et al. 2024).

Entretanto, há diversas descrições na literatura da ocorrência de hipoglicemia decorrentes do uso de semaglutida (Ozempic®) em associação com hipoglicemiantes orais no tratamento da DM2, especialmente as Sulfoniluréias (Glibenclamida, Gliclazida e Glimepirida), e as Meglitinidas (Repaglinida). Esse risco é mais pronunciado em pacientes idosos, naqueles que fazem restrição alimentar e nos portadores de insuficiência renal. Assim, recomenda-se o ajuste adequado das doses do hipoglicemiante oral utilizado, bem como o monitoramento regular da glicemia (Marso et al., 2016; Aroda et al., 2017; ADA, 2024).

Não há interação medicamentosa relevante da associação da semaglutida (Ozempic®) com Metformina, pois utilizam mecanismos de ação diferentes, podendo ser administrados concomitantemente. Entretanto, a coadministração pode intensificar efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, especialmente no início da administração da semaglutida, sendo recomendado ajuste posológico e acompanhamento clínico (Preston, 2019; Brasil, 2024; ADA, 2024).

Pacientes tratados com semaglutida (Ozempic®) em combinação com as insulinas podem apresentar maior risco de episódios de hipoglicemia em comparação ao uso isolado da semaglutida. Isso ocorre porque a semaglutida estimula a liberação de insulina de maneira glicose-dependente, enquanto que as insulinas exógenas reduzem a glicemia independentemente das concentrações circulantes de glicose, e que pode resultar nesse evento adverso (Lyra et al. 2024). Dessa forma, recomenda-se ajuste adequado das doses de insulina.

Para o manejo dos eventos adversos mais comuns associados ao uso da semaglutida, recomenda-se acompanhamento clínico rigoroso e medidas de suporte, incluindo o uso de antieméticos, a correção dos desequilíbrios hidroeletrolíticos decorrentes de perdas gastrointestinais e a monitorização da glicemia em situações de sobredosagem (Diec; Cook; Nguyen, 2025).

Assim, se torna crucial as ações de educação e capacitação de pacientes que empregam semaglutida (Ozempic®) e outros análogos de receptores GLP-1, sobretudo no início da terapia com vistas a evitar os erros de administração e mitigar o aparecimento de efeitos adversos (Wiener et al., 2024). Recomenda-se também capacitação aos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos) objetivando o uso correto e racional do medicamento (Kane; Triplit; Solis-Herrera, 2021; Nascimento; Lima; Trevisan, 2021; Ferreira et al., 2025).

Além do controle de peso, a semaglutida (Ozempic®) atua na redução dos níveis de hemoglobina glicada, na glicemia de jejum e distúrbios cardiovasculares. Ademais, contribui na redução dos níveis séricos de lipídeos, trazendo diversos benefícios à saúde dos indivíduos (Wilding et al., 2021; Jastreboff et al., 2022; Lincoff et al., 2023), contribuindo assim na melhoria dos fatores relacionados à obesidade e suas sequelas.

Estudos sugerem que os análogos de GLP-1 possuem potencial para atuar na prevenção do carcinomas associados à obesidade, incluindo, adenocarcinomas, carcinomas hepatobiliares, neoplasias pancreáticas, entre outros (Wang et al., 2024), sugerindo um efeito protetor contra a iniciação tumoral em populações de alto risco (Dai et al., 2025; Parsons et al., 2025). Dessa forma, esses fármacos podem abrir um novo capítulo no combate ao câncer.

Com o objetivo de normatizar a prescrição e a dispensação da semaglutida no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) atualizou recentemente a regulamentação diante do aumento do uso análogos do Glucagon 1 (CLP-1), como Ozempic®, Wegovy® e Rybelsus®. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 973/2025 passou a incluir a semaglutida entre os medicamentos sujeitos à retenção de receita, além de estabelecer as diretrizes para sua manipulação em farmácias e o manejo das canetas injetáveis (Brasil 2025).

Cabe, então, aos farmacêuticos responsáveis pela dispensação da semaglutida (Ozempic®), orientar os pacientes quanto ao uso correto do medicamento, verificar a prescrição, sobretudo no que se refere à posologia, acolher e esclarecer as dúvidas, promover o uso racional de medicamentos e garantir a segurança farmacoterapêutica.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A semaglutida é um análogo do peptídeo semelhante ao Glucagon 1 (GLP1), desenvolvido para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e comercializado como Ozempic®. Esse medicamento se tornou um dos mais utilizados mundialmente, em razão de promover saciedade e auxiliar na redução de peso corporal, com elevada eficácia e perfil de segurança favorável.

No Brasil, a semaglutida é registrada na ANVISA para tratar diabetes mellitus tipo 2DM2, contudo, tem sido amplamente utilizada no manejo da obesidade de forma off label, tanto mediante prescrição médica quanto por automedicação. O aumento expressivo da demanda do medicamento resultou, inclusive, em episódios de desabastecimento no país, entre os anos de 2022 e 2023.

O uso indevido de semaglutida, sem prescrição médica, tem aumentado especialmente entre jovens e indivíduos não diabéticos, que buscam emagrecimento estético, impulsionado pela influência das mídias sociais, pela cultura do “corpo ideal” e facilidade de acesso pela busca de resultados rápidos.

No que se refere à segurança de uso, a semaglutida está frequentemente associada à indução de efeitos adversos gastrointestinais - náusea, vômito, diarreia e constipação, sendo também descritos, de forma menos comum, distúrbios biliares e pancreatite aguda. Ressalta-se que a semaglutida usada isoladamente não induz hipoglicemia, exceto quando usada em associação com hipoglicemiantes orais e insulina.

Sugere-se que os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e farmacêuticos) sejam capacitados com vistas à promoção do uso correto e racional do medicamento, prevenindo e/ou mitigando as adversidades decorrentes do uso da semaglutida (Ozempic®).

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Recebido: 08/06/2025 | Aceito: 21/01/2026

Como citar esse artigo:

OLIVEIRA, C.C. et al. Uso off label da semaglutida (Ozempic®) por indivíduos não diabéticos para perda de peso. Revista Científica FACS, Governador Valadares, v. 25,

p. 01-14, jan./dez. 2026.