CANNABIS E O ALÍVIO DE CONDIÇÕES DERMATOLÓGICAS:

POTENCIAIS BENEFÍCIOS NO TRATAMENTO DE PSORÍASE

CANNABIS AND THE RELIEF OF DERMATOLOGICAL CONDITIONS:

POTENTIAL BENEFITS IN THE TREATMENT OF PSORIASIS

Felipe Pereira Machado Silva

Graduando do Centro Universitário Newton Paiva Wyden, email: fms2610@outlook.com.

Clara Gabriela Queiroz de Carvalho

Graduanda do Centro Universitário Newton Paiva Wyden, email: claragabriela20@icloud.com.

Roberta Luiza Ramos da Silva

Graduanda do Centro Universitário Newton Paiva Wyden, email: robertaluizaramos@hotmail.com.

Paula Bemquerer Campelo

Graduanda do Centro Universitário Newton Paiva Wyden, email: paulabemquerercampelo@gmail.com.

Elaine Cristina Coelho Baptista

Doutoranda do Programa de Medicamentos e Assistência Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Docente do Centro Universitário Newton Paiva Wyden,

email: elainecbapt@gmail.com.

RESUMO

A psoríase vulgar é uma doença crônica e autoimune que se manifesta por lesões eritematosas, escamosas e secas, com coloração avermelhada ou esbranquiçada, que afetam de forma significativa a qualidade de vida das pessoas. Sabe-se que fatores genéticos e ambientais podem desencadear a doença. O objetivo foi investigar a eficácia e os possíveis benefícios do canabidiol como alternativa terapêutica no tratamento da psoríase vulgar. Foi realizada a seleção e a análise crítica de artigos, revistas e textos completos recentemente publicados em bases científicas de amplo acesso. Foi observado que, embora exista uma variedade de tratamentos convencionais, como corticoides e compostos derivados da vitamina D, seus resultados nem sempre atendem às necessidades dos pacientes. O canabidiol desempenha efeitos terapêuticos na psoríase por meio de mecanismos múltiplos, tendo efeitos benéficos sobre a psoríase. Ao analisar o funcionamento do sistema endocanabinoide em doenças dermatológicas, verificamos que formulações tópicas produzidas a partir da Cannabis sativa demonstram potencial para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas, configurando uma alternativa terapêutica promissora.

Palavras-chave: canabidiol; psoríase; fármacos dermatológicos.

ABSTRACT

Vulgar psoriasis is a chronic, autoimmune disease that manifests as erythematous, scaly, and dry lesions, reddish or whitish in color, significantly affecting people’s quality of life. Genetic and environmental factors are known to trigger the disease. Objectives to investigate the efficacy and potential benefits of cannabidiol as a therapeutic alternative in the treatment of vulgar psoriasis. A selection and critical analysis of recently published articles, journals, and full texts from widely accessible scientific databases was conducted.It was observed that, although a variety of conventional treatments exist, such as corticosteroids and vitamin D derivatives, their results do not always meet patients’ needs. Cannabidiol exerts therapeutic effects on psoriasis through multiple mechanisms, having beneficial effects on the condition. By analyzing the functioning of the endocannabinoid system in dermatological diseases, we found that topical formulations produced from Cannabis sativo show potential to reduce symptoms and improve people’s quality of life, representing a promising therapeutic alternative.

Keywords: cannabidiol; psoriasis; dermatological drugs.

1 INTRODUÇÃO

A psoríase é um dos tipos de dermatose existentes. As dermatoses afetam o sistema tegumentar, o que gera desordens na homeostasia do sistema cutâneo, por meio de processos inflamatórios, desidratação da pele e entropia de queratinócitos do tecido epitelial. Trata-se de uma doença inflamatória crônica e sistêmica autoimune, sendo ela não infecciosa, caracterizada pelo surgimento de placas secas avermelhadas e escamosas esbranquiçadas ou prateadas de cunho eritematoso, localizadas principalmente em membros extensores, podendo afetar também palmas das mãos e as plantas dos pés (Rodrigues; Teixeira, 2009).

A patologia ocorre em 1% a 3% da população mundial e 1% da população brasileira. Acredita-se que três milhões de brasileiros podem ser acometidos, afeta pessoas de todas as idades, sem predileção por sexo. As causas da psoríase ainda não são completamente conhecidas, mas podem ser associadas a fatores genéticos e externos que ativam o sistema imunológico inato, como por exemplo, infecções, traumas psíquicos, tabagismo, e alcoolismo, histórico de diabetes, depressão e hipertensão (Rodrigues; Teixeira, 2009).

Ademais, esta doença é caracterizada pelas alterações que se desenvolvem no interior da epiderme, originadas por uma renovação extremamente rápida dos queratinócitos epidérmicos. A psoríase apresenta diversas formas clínicas como: psoríase vulgar em placas, psoríase gutata, psoríase eritrodérmica, psoríase invertida, psoríase palmo-plantar e psoríase ungueal (psoríase nas unhas) (França et al., 2021).

O aspecto final de uma lesão causada por psoríase impacta sobre a qualidade de vida do paciente, intervindo nas funções físicas e mentais. Ao longo dos anos de pesquisa muitas opções terapêuticas surgiram para o tratamento de psoríase como, corticoides, derivados da vitamina D, fototerapia e imunomoduladores. Contudo, nenhuma terapia conseguiu alcançar a completa cura da doença. Os obstáculos enfrentados incluem principalmente os efeitos colaterais causados por medicação sistêmica aplicada por longos períodos e com alto custo. (Vicente, 2021).

Dentre as opções terapêuticas, o tratamento tópico é o mais preferível para o manejo de casos leves e médios da doença, corticoides de uso tópico e análogos de vitamina D são muito usados. Entretanto, são terapêuticas que possuem limitações quanto à sua eficácia, surgimento de efeitos colaterais e causam a não adesão do paciente devido ao seu tempo de tratamento necessário. Sendo assim, devem ser exploradas novas opções de tratamento, a fim de trazer comodidade e resultados mensuráveis ao paciente (Vicente, 2021).

Atualmente, existem investigações demonstrando a eficácia do uso do canabidiol tópico em várias condições dermatológicas, inclusive como alternativa terapêutica aos tratamentos já utilizados para psoríase. Parece atuar no alívio do prurido, na melhora da hidratação da pele e na diminuição de processos inflamatórios, devido às suas propriedades naturais anti-inflamatórias, antioxidantes e analgésicas, ativadas por meio dos receptores do sistema endocanabinoide (Quartucci; Pereira; Freitas, 2023). Portanto o objetivo do estudo é investigar a eficácia e os potenciais benefícios do canabidiol (CBD) como alternativa terapêutica no tratamento da psoríase vulgar.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A psoríase é uma condição caracterizada por alterações que ocorrem na epiderme, resultantes de uma renovação celular anormalmente acelerada, ocasionando a hiperproliferação dos queratinócitos desencadeada pela ativação do sistema imunológico, resultando em lesões eritematosas, descamativas e em placas bem delimitadas. As áreas mais frequentemente acometidas incluem joelhos, cotovelos, couro cabeludo e tronco (França et al., 2021; Botelho et al., 2022). O diagnóstico, em geral, é clínico, baseado no histórico do paciente e na observação de lesões cutâneas típicas. No entanto, em casos duvidosos, a biópsia pode ser solicitada como método confirmatório, a fim de ratificar o diagnóstico (França et al., 2021).

Durante a fase diagnóstica, também é realizada a classificação da gravidade da psoríase, que varia de leve a grave. Apesar de ser uma avaliação subjetiva, essa classificação é essencial para acompanhar a evolução do quadro ao longo do tratamento e para mensurar os resultados terapêuticos em cada consulta médica. O principal instrumento utilizado para essa mensuração é o Índice de Gravidade da Área de Psoríase (PASI), que considera tanto a extensão da área afetada quanto a gravidade das lesões, incluindo eritema, espessamento e descamação (Ribeiro; Moura, 2023).

A psoríase se manifesta de forma bastante heterogênea, tanto nas fases de exacerbação quanto nas de remissão. A forma mais comum da enfermidade é a psoríase em placas, também conhecida como psoríase vulgar, que acomete entre 75% e 90% dos pacientes. A faixa etária mais afetada compreende pessoas entre 18 e 39 anos e de 50 a 69 anos, sendo que a idade de início pode ser influenciada por fatores genéticos e ambientais (Ribeiro; Moura, 2023).

Além dos sintomas cutâneos, a psoríase pode causar desconfortos significativos, como coceira e prurido intenso, que podem causar lesões durante as fases de atividade da doença. Por ser uma doença com lesões expostas, esse quadro impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, afetando principalmente a autoestima e o bem-estar psicológico, grande parte dos pacientes relatam que já sofreram alguma discriminação por conta da doença, isso torna um fator relevante no aspecto psicossocial, o que também pode levar ao desenvolvimento de sentimentos negativos em relação a sua aparência física e discriminação social (Botelho et al., 2022). Há uma associação relevante entre a psoríase e transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, que frequentemente surgem após o diagnóstico, evidenciando o quanto a doença pode comprometer a saúde mental dos indivíduos acometidos. Dermatologistas e psicólogos concordam que o tratamento da doença deve ser feito de forma multidisciplinar, considerando que além do tratamento medicamentoso, é recomendável a psicoterapia como estratégia para melhora da doença (Botelho et al., 2022).

Atualmente, a psoríase é considerada uma patologia sem cura definitiva. Dessa forma, o principal objetivo do tratamento é controlar a diferenciação e a proliferação excessiva dos queratinócitos, além de minimizar o impacto da doença na vida social, na aparência física e no bem-estar do paciente. A proposta terapêutica visa prolongar os períodos de remissão e, principalmente, promover uma melhor qualidade de vida (Ribeiro; Moura, 2023).

A definição do tratamento da psoríase depende da gravidade clínica, classificada em leve, moderada ou grave. Casos leves são majoritariamente manejados com terapias tópicas, enquanto quadros moderados a graves exigem associação com tratamentos sistêmicos, como fármacos orais, fototerapia ou agentes injetáveis (Ribeiro; Moura, 2023). Entre as terapias tópicas, os corticosteroides são os mais utilizados, embora seu uso prolongado possa gerar reações adversas, incluindo efeito rebote, taquifilaxia e atrofia cutânea. Conforme definição da OMS, eventos adversos correspondem a respostas nocivas e não intencionais a medicamentos administrados em doses usuais. O efeito rebote destaca-se por ocorrer após a suspensão do corticosteroide, resultando em exacerbação dos sintomas devido ao restabelecimento dos mecanismos fisiológicos prévios à intervenção (Teixeira, 2013).

A Cannabis Sativa, conhecida popularmente no Brasil como maconha, é uma planta originada na Ásia que possui grande adaptabilidade no que se refere ao clima, ao solo e à altitude. Essa planta apresenta várias propriedades medicinais e vem sendo cada vez mais estudada e utilizada pela indústria farmacêutica. Essa vem sendo empregada para vários distúrbios, em diferentes formas farmacêuticas e diferentes tipos de canabinoides. Em 2015 foi autorizado pela ANVISA a importação do canabidiol (CBD). Apesar da liberação, a substância ainda permanece inacessível pela maior parte dos pacientes devido ao alto custo (Gontijo et al., 2016).

O CBD é um fitofármaco que vem sendo amplamente utilizado para tratamentos de dores crônicas e inflamação, doença de Parkinson, esquizofrenia, dor neuropática, autismo, entre outros. O CBD tem ação direta em receptores endógenos do sistema endocanabinóide (SECB) que é composto por receptores específicos como o CB1 e CB2. O sistema endocanabinóide é de extrema importância para a regulação do sistema imunológico, regulação de dores, regulação do sistema cardiovascular, regulação do sistema gastrointestinal e homeostasia da pele (Chiari, 2024).

O sistema endocanabinóide engloba três componentes principais: compostos endocanabinóides, enzimas e receptores canabinoides. Os receptores CB1 e CB2 são semelhantes e se diferem em sua localização no corpo, o CB1 é encontrado majoritariamente no sistema nervoso central, em locais como cérebro e medula espinhal, sendo diretamente relacionado aos efeitos psicoativos canabinoides, já o CB2 é encontrado nas células do sistema imunológico e não tem relação aos efeitos psicoativos dos canabinoides. Portanto o CB2 é um alvo de extrema importância em tratamento de doenças autoimunes, como é o caso da psoríase (Chiari, 2024).

Contudo, para que os canabinoides tenham ação na pele, epiderme e derme, os receptores CB2 inibem a expressão de citocinas pró-inflamatórias e diminuindo a proliferação de queratinócitos epidérmicos. Os receptores CB1 e CB2 atuam ativando os mitógenos. O qual, inclui as quinases 1 e 2, que são ativadas por sinais provenientes do ambiente extracelular. Ambos os receptores têm a função comum de modular a liberação de mensageiros químicos. Quando os canabinoides ativam o receptor CB1, eles se ligam a neurotransmissores no sistema nervoso central, influenciando sua liberação. Já ao interagirem com o receptor CB2, inibem a liberação de citocinas inflamatórias, contribuindo para a regulação das respostas do sistema imunológico (Quartucci, Pereira, Freitas, 2023).

Após os canabinoides se ligarem nos receptores CB2, se ligam aos canais transientes do potencial receptor vaniloide do tipo 1 (TRPV1) e os receptores ativados por proliferadores de peroxissomas gama (PPARγ), os quais são todos relacionados à regulação da inflamação e renovação cutânea, causando a diminuição da proliferação exacerbada de queratinócitos. Portanto, o sistema endocanabinoide apresenta um papel fundamental na manutenção da saúde da pele, influenciando processos como o crescimento, a diferenciação e a sobrevivência das células cutâneas. Quando esse sistema se desregula, podem surgir problemas relacionados a doenças de pele, especialmente as dermatoses (Teixeira et al., 2025; VICENTE, 2021).

O estresse oxidativo é outro fator que contribui para o processo de inflamação decorrente da psoríase por gerar a ativação de vias pró-inflamatórias e produção de espécies reativas de oxigênio (ROS). Esse processo causa danos às células epidérmicas e acarreta uma resposta imunológica desregulada.

O canabidiol apresenta características antioxidantes, modulando a expressão das enzimas oxidantes ao interagir com os receptores PPARy, o qual regula a homeostase celular e a resposta ao estresse oxidativo. O CBD também possui propriedades imunomoduladoras adicionais que favorecem o equilíbrio do microambiente cutâneo por influenciar na atividade de células T reguladoras (Tregs) importantes para a manutenção da tolerância imunológica e prevenção de reações inflamatórias exacerbadas. A ativação das células T pelo canabidiol é um fator que pode auxiliar na redução da hiperreatividade imune da psoríase, dessa forma, a resposta inflamatória será mais controlada e menos agressiva do que terapias imunossupressoras convencionais (Teixeira et al., 2025).

3 MATERIAL E METÓDO

O trabalho é uma revisão da literatura que visa investigar os potenciais benefícios terapêuticos do canabidiol (CBD) no tratamento da psoríase vulgar, a partir da leitura e análise de estudos recentemente publicados através de bases científicas como “SciELO” (Scientific Electronic Library Online) e “Google Acadêmico”. Foram utilizados os seguintes descritores em português e inglês: “canabidiol”, “CBD”, “psoríase”, “cannabis medicinal”, “tratamento dermatológico”, “sistema endocanabinoide”, “psoriasis”. A partir disso, foram selecionados artigos completos e disponíveis gratuitamente, publicados entre os anos de 2013 e 2025, em português ou inglês, que abordam o uso do canabidiol na dermatologia, especialmente no tratamento da psoríase. Foi realizada a triagem e leitura crítica de 18 artigos, revistas, textos completos e foram utilizados 11 deles. Os dados foram extraídos de forma objetiva em um arquivo digital compartilhado, facilitando o acesso e a análise conjunta por todos os autores. Foram excluídos os artigos que não foram incluídos por não apresentarem embasamento científico ou por estarem incompletos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da análise da literatura científica disponível, o uso tópico do canabidiol (CBD) surge como uma alternativa promissora para ajudar na recuperação da pele. Sendo assim, faz-se necessário desenvolver uma forma eficaz de aplicar essa molécula em formulações tópicas, garantindo que ela atue de maneira adequada (Teixeira et al., 2025).

O canabidiol desempenha efeitos terapêuticos na psoríase por meio de mecanismos múltiplos, modulando a resposta inflamatória, normalizando o estresse oxidativo e a intervenção sobre a proliferação e diferenciação celular. Isso resulta na interação do canabidiol com o sistema endocanabinóide, o qual causa a homeostase cutânea e age na resposta imunológica (Teixeira et al., 2025).

O uso de uma pomada com canabidiol atuando como insumo farmacêutico ativo e outros agentes hidratantes, queratolíticos e antioxidantes podem constituir um tratamento eficaz para a psoríase vulgar. O canabidiol pode agir tratando a psoríase vulgar, os agentes hidratantes e queratolíticos agem no controle das escamas e alívio do prurido. Já os agentes antioxidantes podem acelerar a cicatrização cutânea. A forma farmacêutica de pomada pode trazer alívio para o paciente de forma mais ágil, com efeitos adversos mínimos (Vicente, 2021).

Assim, os medicamentos tópicos com formulações à base de Cannabis sativa, demonstram resultados favoráveis quanto à capacidade de causar remissão dos sintomas da psoríase. Isso ocorre devido à ação anti-inflamatória, antioxidante e de controle da proliferação celular fornecida pelo CBD e por outros componentes do fitocomplexo da Cannabis sativa. Além disso, o CBD é considerado uma alternativa de segurança favorável por apresentar menos efeitos colaterais em seu uso tópico (Carvalho; Silva; Sousa, 2023).

Os resultados sugerem que o CBD atua de maneira integrada no alívio sintomático e na homeostase da pele, com perfil de segurança favorável e baixa incidência de efeito rebote quando comparado a tratamentos convencionais de uso prolongado (Quartucci; Pereira; Freitas, 2023).

5 CONCLUSÃO

Considerando os estudos existentes na literatura, observou-se que o canabidiol (CBD) apresenta-se como uma promissora alternativa terapêutica no tratamento da psoríase vulgar leve, sobretudo por sua ação anti-inflamatória, imunomoduladora, antioxidante e analgésica. Os estudos selecionados evidenciam que a aplicação tópica do CBD pode contribuir significativamente para a redução de sintomas, além de promover melhorias na hidratação cutânea e na qualidade de vida dos pacientes.

Os mecanismos de ação do sistema endocanabinoide, especialmente a ativação dos receptores CB1 e CB2 e a interação com canais TRPV1 e receptores PPARγ, demonstram um papel relevante na modulação da resposta imunológica e na renovação celular, ambos fundamentais na fisiopatologia da psoríase. Os resultados sugerem que o CBD atua de maneira integrada no alívio sintomático e na homeostase da pele, com perfil de segurança favorável e baixa incidência de efeito rebote quando comparado a tratamentos convencionais de uso prolongado.

Portanto, a hipótese de que o canabidiol pode ser eficaz na redução dos sintomas da psoríase e na melhora da qualidade de vida dos pacientes foi sustentada pela literatura consultada. Ainda que os achados sejam encorajadores, recomenda-se o desenvolvimento de mais estudos clínicos controlados que avaliem a eficácia, segurança e padronização das formulações à base de CBD, visando consolidar seu uso como parte integrante do tratamento da psoríase vulgar leve.

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Recebido: 27/11/2025 | Aceito: 05/12/2025

Como citar esse artigo:

SILVA, F. P. M. et al. Cannabis e o alívio de condições dermatológicas: potenciais benefícios no tratamento de psoríase. Revista Científica FACS, Governador Valadares, v. 25, p. 01-09, jan./dez. 2025.